“O Ouro do Futuro”: Como 8 sementes transformaram o Brasil em uma potência do Mogno-Africano sob a visão do Dr. Ítalo Falesi

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Documento recém-publicado pela Embrapa detalha a história da introdução da espécie no país, que hoje já ocupa mais de 60 mil hectares em todos os estados brasileiros.

Belém, PA – Uma história que começou há quase cinco décadas com um punhado de sementes e uma promessa visionária acaba de ser documentada e publicada pela Embrapa Amazônia Oriental. O documento “O mogno-africano no Brasil” traça a linha do tempo da introdução e expansão desta valiosa espécie florestal, revelando como o Brasil se tornou um dos grandes polos mundiais de cultivo do que o mercado internacional chama de African Mahogany.

Tudo começou em outubro de 1975, no estado do Pará, durante uma visita oficial de um representante do Ministério de Águas e Florestas da Costa do Marfim ao antigo Centro de Pesquisa Agropecuária do Trópico Úmido (CPATU), atual Embrapa Amazônia Oriental. O pesquisador que recebeu a comitiva da Costa do Marfim foi o Dr. Ítalo Falesi, considerado o “pai” do mogno africano no Brasil. Na ocasião, ele recebeu oito sementes com uma recomendação enfática do visitante: “Plante que será o ouro do futuro”.

As sementes germinaram e deram origem a quatro árvores pioneiras que, hoje, beiram os 50 anos de idade e exibem um porte exuberante na sede da instituição, em Belém. Essas matrizes originais foram a principal fonte de sementes para a expansão inicial da cultura em solo brasileiro.

O Crescimento de uma “Poupança Verde”

A aposta do Dr. Falesi provou ser certeira. O mogno-africano conquistou os produtores rurais devido ao seu rápido crescimento e à altíssima qualidade e cotação de sua madeira no mercado mundial, sendo frequentemente chamado de “poupança verde”.

Segundo levantamentos recentes citados no documento e realizados junto à Associação Brasileira dos Produtores de Mogno-Africano (ABPMA), a cultura vive um boom de expansão:

  • A espécie já está presente em todos os 26 estados do Brasil e no Distrito Federal.
  • A área plantada no país é estimada em impressionantes 63.212 hectares.
  • A região Sudeste lidera a produção, respondendo por 46,1% da área plantada, com destaque para Minas Gerais e São Paulo.
  • A espécie Khaya grandifoliola é a soberana absoluta nos campos brasileiros, representando 69,6% dos plantios.
mogno-africano
Rodrigo Ciriello CMO na Futuro Florestal ao lado de uma das árvores matriz de Mogno Africano no Brasil – Embrapa

Ciência, Identificação e Futuro

Além de resgatar esse marco histórico, o documento da Embrapa, assinado pelos pesquisadores José Edmar Urano de Carvalho e o próprio Ítalo Cláudio Falesi, joga luz sobre um curioso caso botânico. Durante décadas, acreditou-se que as matrizes introduzidas no Brasil eram da espécie Khaya ivorensis. No entanto, estudos botânicos e biossistemáticos aprofundados comprovaram que a espécie que dominou o Brasil é, na verdade, a Khaya grandifoliola, o mogno-africano de folhas grandes, dúvida essa que surgiu devido a insistência de um engenheiro florestal, chamado Gilberto Terra, que quando trabalhou na Reserva Natural Vale em Linhares/ES, observou divergências significativas entre as folhas das árvores da espécie Khaya ivorensis que haviam plantadas na reserva, para aquelas que eram conhecidas com esse mesmo nome na unidade da Embrapa em Belém.

mogno-africano

Isso não diminui o valor da madeira nacional, aliás, muitos especialistas afirmam que a madeira da K. grandifoliola é a que mais se assemelha ao prestigiado e ameaçado mogno-brasileiro (Swietenia macrophylla), além de apresentar menos atratividade para a “broca do ponteiro” do que a K.Ivorensis, além de também apresentar boa aceitação na construção naval e na fabricação de móveis finos e instrumentos musicais.

Com a publicação do estudo, a Embrapa reforça a importância da pesquisa científica para o desenvolvimento sustentável, mostrando que extensas áreas de pastagens degradadas podem ser convertidas em valiosas florestas produtivas, gerando riqueza e diminuindo a pressão sobre os ecossistemas nativos.


Sobre a Embrapa Amazônia Oriental: Unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), vinculada ao Ministério da Agricultura e Pecuária, focada em gerar conhecimento e tecnologias para o desenvolvimento sustentável da Amazônia e do setor agropecuário brasileiro.

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Tectona grandis

Teca

Sobre a espécie

A Teca Tectona grandis é uma espécie asiática reconhecida mundialmente pela produção de madeira tropical de alta qualidade, resistência e excelente estabilidade dimensional. Apresenta fuste reto, bom desempenho silvicultural e elevado valor comercial, sendo amplamente utilizada em plantios comerciais. Desenvolve-se melhor em clima tropical, com verão chuvoso e inverno seco, em solos profundos, férteis e bem drenados, não tolerando geadas. Sua madeira apresenta baixa contração, resistência à umidade e boa durabilidade, sendo muito valorizada na produção de móveis, decks, revestimentos, laminação e construção naval.

FICHA TÉCNICA

Ciclo de corte

25 - 35 anos

CLIMA IDEAL

1.200 mm a 2500 mm / 13ºC a 45ºC, clima tropical úmido, com verão chuvoso e inverno seco

Espaçamento ideal

3x3 a 4x2

TIPO

Exótica Asiatica

BIOMA

Florestas tropicais de monção

MERCADO

Nacional e exportação

Finalidades e usos

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